Em São Simão, um curso oferecido gratuitamente pela Prefeitura ensinou doze pessoas a fazer móveis em bambu, uma planta que já foi considerada, no passado, sem utilidade pelos agricultores. As aulas ajudaram a descobrir novos talentos e o prazer em criar novos objetos, que além de bonitos podem ser uma fonte de renda alternativa. O bambu é uma planta que se adapta a várias regiões e climas. Mais de 1.300 espécies estão registradas em todo o mundo e, no Brasil, elas estão por toda a parte, seja no campo ou na cidade. O bambu do tipo chinês é considerado uma praga e é usado apenas para conter erosão. Ele também é conhecido como vara de pesca. O artesão Gilmar Constantino, aluno do curso, junto com outros 11 colegas descobriram que o bambu pode se tornar fonte de renda para a família, desde que cortado quando estiver maduro. O corte só pode ser feito após três anos de plantio. “Temos que observar a tonalidade do bambu para saber se ele está maduro ou não. Se estiver, o verde fica mais claro”, disse Gilmar que é especialista em fabricação de móveis e confecção de peças artesanais utilizando cabaças. Durante as aulas, os alunos aprenderam que, para preparar o bambu é necessário um tratamento com fogo e a mudança de cor é instantânea. O calor aumenta a durabilidade ao mesmo tempo em que mata as possíveis pragas naturais. Uma das técnicas usadas é a mesma que a da fabricação de qualquer tipo de móvel ou peça decorativa. O que muda é apenas o tamanho do corte e a criatividade de cada pessoa. Eles aprenderam ainda que o corte requer cuidado e um detalhe importante: o gomo deve ser retirado com uma furadeira e o espaço, coberto com uma madeira macia. Após o encaixe das peças, a finalização é feita com cordas naturais. No mercado, cada cadeira pode ser vendida por R$ 70. O sonho dona de casa Regina Gomes, que já trabalha com artesanato e é monitora no Centro Cultural Iara de Almeida, era aprender a fazer móveis de bambu, principalmente cadeiras. Os planos se concretizaram depois que ela participou do curso e, agora pretende incorporar a produção de peças de bambu as suas atividades com o artesanato, pois já tem boa clientela e muitas encomendas. “Com mais esta atividade, pretendo aumentar a minha renda e ajudar mais no orçamento doméstico”, comemora a dona de casa. Além da beleza, o bambu tem outra característica especial: a durabilidade. Se um móvel não ficar exposto diretamente ao sol, pode durar mais de 30 anos. Com duração de quatro dias, o curso foi promovido por meio de uma parceria do SENAR-GO, Sindicato Rural de Paranaiguara e São Simão e Prefeitura de São Simão. As aulas foram ministradas no Centro Cultural Iara de Almeida, onde também aconteceu a cerimônia de encerramento, no dia 28 último, que contou com a presença do Coordenador Regional do SENAR-GO, Renildo Marques Teixeira, da mobilizadora Karilcia Lopes, representando o Sindicato dos Produtores Rurais de Paranaiguara e São Simão, da Superintendente de Cultura, Professora Cida Santana e da Secretária de Educação, Ilza Maria Vasconcelos, que na ocasião também representou o prefeito Dr Márcio.